domingo, 13 de janeiro de 2013

Pupilas




Suas pupilas negras e estranhas
São tão herméticas quanto a noite
Invade meu imo, até as entranhas
E me arrebenta como um açoite
E me arrebata com o olhar de façanha
E me envergonha, ainda que me afoite.

Suas pupilas negras e estranhas
São tão fulminantes quanto uma bala
Lançada ao peito num tiro certeiro
E naquele momento, o silêncio se cala
Se deita, se acaba, se fere, se sara
Num amor que misteriosamente se exala.


Elon Barbosa

Chamado





Ninguém ao certo sabe
Só se sabe bem que cabe
Num todo que ao pouco invade
Em que este mesmo pouco
Se abre
se resolve
se prorroga
se desdobra
se assombra
se joga
se empolga
se encontra
Por baixo do sol
ou da sombra
Meditando na caverna
ou seguindo a estrada longa
Diante de um Deus mulher
ou da própria mulher monga
até mesmo das aranhas
nas teias da imaginação
En la "Tonga da mironga do Kabuletê"
Ilusão...
Num chamado
Num achado
Que nem mesmo o poeta dos poetas dos poetas dos poetas
Compreende o tal estado
Estação...
de outono à primavera
de inverno à verão
Pra que sua metamorfose
seja, então, a ambulante
O transforme, na vera,
na mais sincera canção.


Elon Barbosa

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Jogando conversa fora sobre suposto "fim"...



Chegamos ao dia 21/12/2012. A mídia falou tanto em fim de mundo; o povo especulou tanto... Mas o mais engraçado é que nenhuma profecia disse que o mundo iria se acabar. Nem os maias, nem os egípcios, nenhuma outra civilização antiga, nem os Ets, nem Nostradamus, nem os esotéricos, nem os espíritas, nem a Bíblia, nem a ciência, nem a astrologia... Todas as chamadas profecias, falaram em uma continuação, em um novo ciclo, em uma nova era na Terra e trouxeram alerta sobre a necessidade de mudança de consciência dos povos terrenos; fim dos tempos de uma velha consciência e início de outra, nunca de um fim do mundo e da raça humana. 21/12/2012 foi apenas o fim do calendário maia, segundo informações jogadas pela própria mídia. Será verídico? O ser humano tem necessidade de alimentar sua curiosidade sobre quem é, de onde veio, pra onde vai, quando foi o início e quando será o fim. A Civilização Maia é antiga, mas tal como muitas outras, foi muito mais avançada em termos de conhecimentos astrológicos e até astronômicos do que a nossa, mesmo com toda a tecnologia atual, e nós ainda não descobrimos tudo sobre ela. A história é contada com base em interpretações, ou seja, nada é sempre certo, e mais uma vez, talvez a interpretação feita tenha sido errada. Assim como no passado interpretaram mal Nostradamus, e interpretam mal a bíblia, os maias também podem ter sido mal interpretados (Não significa que sou um exímio interpretador de textos) e a data (errada) do suposto "fim" mais uma vez amedrontou pessoas desinformadas, tornou alguns céticos e decepcionou muitos esperançosos de uma Nova Era. Configura-se mais uma vez o quanto somos manipulados pelo que o sistema nos joga, que pode ser o da mídia, o religioso e até político. Os ciclos do Calendário Maia não acabaram e continuarão por milhões de anos. Na realidade os "profetas" das datas para o fim, não foram os maias, nem a Bíblia, nem Nostradamus e nenhuma referência já citada; os "profetas" foram os próprios homens da civilização atual, movidos por diversas condições, mas principalmente por sua curiosidade, o que não significa que é ruim. A curiosidade é boa, nos leva a adquirir conhecimento, dependendo da forma aplicada e como diz o antigo e profético ditado: "Tudo o que é demais, é veneno!". O desenvolvimento e o avanço de nossa sociedade está só começando, talvez, o início, apenas, do 'proprio fim'. A civilização pós moderna vem se tornando cada vez mais escrava da tecnologia (o que não é sempre bom) e é notável o quanto a consciência da massa vem se modificando e se adaptando a nova realidade. Os pólos, realmente, estão se invertendo! O mundo é outro! O cosmo também, uma vez que se expandindo ou mesmo estático, não faremos idéia de onde estarão suas membranas. Existem muitos mistérios ainda a serem desvelados, e os povos antigos ainda nos revelarão muito. É válido salientar também, que Apocalipse vem do grego apokálypsis e significa 'revelação', 'retirada do véu'; o que ficou obscuro e relacionado a fim de mundo. Essa realidade de Apocalipse, nós vivemos nos dias de hoje. Há tempos! Estamos no meio e não sabemos a data de término e é bem melhor que não saibamos atribuindo certezas absolutas. Vivemos a era da revelação, a era em que o 'véu de Ísis' está aos poucos sendo retirado. É preciso encarar as 'profecias' como necessidade de reflexão sobre os nossos atos; libertação da cegueira; necessidade de mudança e auto conhecimento; precisão de saber que se um ciclo termina, outro começa, assim como tudo no universo; como os dias, os meses, os anos, as décadas, os séculos, os milênios etc; como o movimento dos elétrons dentro do átomo e dos planetas em torno do sol, e dos sóis em torno do centro Via Láctea; como a própria vida que termina e recomeça sempre.

sábado, 24 de novembro de 2012

Tempo pra ser só. (Ontem numa mesa de bar)




Hoje é sexta
E a minha festa
É com a solidão.
Acendo o cigarro,
Bebida na mesa,
Pensamentos vagos,
Porém sem tristeza,
Incertezas talvez...
A vez
É nossa!
Minha e da bossa
Que toca no som.
E nesse tom,
O dom de sentir na tez da alma
Se apodera
Quem dera
Alegria e calma
De primavera a primavera
Só quimera!
Só quimera!
Quisera poder um dia
Descobrir razões na via
Pro que não se via, e nem se entendia
Apenas jazia
O amor?



Elon Barbosa.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Subjetivo


Uma vontade estranha se manifesta entre a objetividade e a imaginação. Não tenho consciência da exatidão do que se trata. Todavia me persegue em todos os momentos destes últimos dias. A escuridão não se cansa de se humilhar aos pés da claridade. E por vezes, pessimismos irracionais aparecem como visões realistas. Cresci aprendendo que o amor move montanhas, mas as montanhas, nem sempre, se movem por amor. Minhas pupilas se reviram ou se fixam no vácuo, se entregando a tortura de pensamentos vagos, que se alimentam do doce sofrimento da incerteza. E no meio da inquietação, me rebaixo à condição de um mero mortal, desconhecedor dos próprios anseios e do próprio poder. Se sou imagem e semelhança de Deus, então... Quem é Deus?

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Foi-se o tempo!



Foi-se o tempo em que eu chutava a barriga da minha mãe numa doce ferocidade, a da ansiedade para ver o mundo que naquele momento me esperava; em que eu sobrevivia por intermédio do cordão umbilical e dos meus pais que tomavam os cuidados necessários durante a gravidez. Foi-se o tempo em que os mimos se concentravam em meu ser frágil, pequeno, puro; em que os braços se abriam para segurar-me, e os adultos brincavam fazendo caretas aguardando um leve riso, quando muitas vezes eu me sentia assustado, e chorava às alturas. Foi-se a época em que eu começava a falar e a dar meus primeiros passos, tocando objetos, rostos e corações entusiasmados. Foi-se o tempo em que passava minhas mãos sujas de areia ou lama nas roupas brancas lavadas com amor; e traquinava por todos os cantos, tirando as coisas do lugar, brigando com qualquer outra criança que se tornasse uma ameaça à atenção que os outros tinham em mim, querendo atravessar a rua só, correndo sem destino. Foi-se o tempo em que os brinquedos me chamavam atenção, em que a bola, os carrinhos e as miniaturas me agradavam; em que dava crença em duendes e outras fantasias. Já passou a época em que eu chorava por não querer ir à escola e quando chegava bagunçava a sala de aula com os outros colegas; ou quando eu me divertia usando máscaras nas brincadeiras de Carnaval. Há tempos não sei o que é ganhar ovos de chocolate na Páscoa, nem pintar a ponta do nariz de vermelho; não sei o que é passar as noites de São João soltando “traques” na calçada da casa da minha avó paterna, e nem ganhar presentes de pessoas vestidas do Papai Noel nos festejos natalinos. Foi-se o tempo em que caçoava na rua com moleques que se uniam em bandos para brincar de se esconder. Foi-se o tempo em que tive minha primeira ejaculação, quando a gente pensa que está urinando na cama e não sabe ao certo o que significa aquele líquido. Foi-se o tempo das paixões utópicas de menino querendo ser adulto, galanteando os afetos nos corredores da escola e fazendo bilhetes inocentes para trancar nas gavetas, mantendo amores platônicos. Foi-se o tempo em que estudar Sistema Reprodutor nas aulas de Biologia acalorava os alunos, que não sabiam bem como lidar com o assunto, inclusive eu. Foi-se o tempo do medo de fazer novas amizades, da rejeição, da extrema timidez, das primeiras espinhas (acne). Foi-se o tempo em que tomei a primeira cerveja, com medo de me tornar alcoólatra. Foi-se o tempo em que me apegava a coisas infantis e a ingenuidade me cegava por completo. Foi-se o tempo de chegar em casa cedo... Eu cresci, experimentei o cigarro, o álcool, passando a utilizá-los na tentativa de esquecer as frustrações. Conheci a falsidade, o medo, a insegurança, a ansiedade. Vivi a depressão. Passei a perceber o quanto o ser humano é mal, e utiliza a sua língua na tentativa de matar ao próximo. Entrei na universidade. Transei, senti o prazer de encostar meu corpo em outro, despido. Estudei o necessário. Me formei, obtive profissão e êxito. Ganhei dinheiro, acompanhado de problemas e contas a pagar. Frequentei grandes festas. Me casei. Engordei. Envelheci. Faleci e não me lembro com que idade, mas tenho certeza que eu poderia ter vivido muito mais, ter lido mais, ter tomado mais banhos de chuva, contemplado mais o sol, a lua, as árvores e ter sido mais livre. Hoje, daqui de outra dimensão, imperceptível aos olhos tridimensionais, eu sei que o tempo da Terra corre bem mais rápido do que quando eu corria sem rumo na infância; que os seres necessitam vivenciar o significado do amor; que dizer “Bom dia” nos traz disposição para viver; que é preciso consagrar cada milésimo de segundo; que ter respeito até por quem não tem é um gesto honrado; que as quedas são provações para que o erguimento seja mais forte; que nada feito por nós é, em si, perfeito, mas que pode ser bonito e útil; que a intenção prospera sempre; e que a vida... Ah... A vida renascerá amanhã, através de mais uma criança que iluminará o mundo, e talvez, faça tudo aquilo que eu não fiz enquanto eu estava vivo.


                                                          Elon Barbosa.